mapa do mundo

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Pé-de-garrafa


Pé de Garrafa
 
 
Pedegarrafa
Pé-de-garrafa, ilustração de Marcos Jardim

O Pé-de-garrafa é um ente misterioso que vive nas matas e capoeiras. Não o vêem, ou o vêem raramente. Ouvem sempre seus gritos estrídulos, ora amedrontadores, ora tão familiares que os caçadores procuram-nos, acreditando tratar-se de um companheiro perdido. Quanto mais buscam, menos o grito serve de guia, pois multiplica-se em todas as direções, atordoa, desvaira, enlouquece. Os caçadores terminam perdidos ou voltam para casa depois de luta áspera para reencontrar o caminho habitual. Sabem tratar-se do Pé-de-garrafa, porque assinala sua passagem com um rastro redondo, profundo, lembrando um fundo de garrafa. Supõem que o fantasma tenha as extremidades circulares, maciças, fixando vestígios inconfundíveis.

A Lenda de Romãozinho. Vale a pena ler!!


Romãozinho
Dizem que não há um limite para a maldade. Será isso verdade?
Ele era um menino filho de lavrador, e já nasceu vadio e malcriado. Adorava maltratar os animais e destruir plantas, sua maldade já era aparente.

Um dia, sua mãe mandou-o levar o almoço do pai que estava num roçado trabalhando. Ele foi, e como sempre, de má vontade e esbravejando a mãe.

No meio do caminho, comeu a galinha inteira, juntou os ossos, e levou para o pai. Quando o velho viu o monte de ossos ao invés de comida, perguntou que brincadeira sem graça era aquela.

Romãozinho, ruim como era, querendo se vingar da mãe, que tinha ficado em casa lavando roupa, disse:

"Foi isso que me deram... Acho que minha mãe comeu a galinha com um homem que vai lá quando o senhor não tá em casa, aí mandaram os ossos..."

Louco de raiva, acreditando no menino, largou a enxada e o serviço, voltou para casa, puxou a peixeira e matou a mulher.

Morrendo a velha amaldiçoou o filho que estava rindo:

"Não morrerás nunca. Não conhecerás céu ou inferno, nem descansarás enquanto existir um único ser vivo na face da terra."

O marido morreu de arrependimento. Romãozinho sumiu, rindo ainda.

Desde então, o moleque que nunca cresce, anda pelas estradas, fazendo o que não presta. Quebra telhas a pedradas, assombra gente, tira choco das galinhas. É pequeno, pretinho como o Saci, vive rindo, e é ruim.

Não morrerá nunca enquanto existir um humano na terra, e como levantou falso testemunho contra a própria mãe, nem no inferno poderá entrar.